O que acontece na internação?


Internações voluntarias, involuntárias


Quando o paciente se interna pode ser porque percebe que algo está errado e não consegue superar sozinho, ou por pressão familiar e até mesmo por pressão social.

É um impulso de um pedido de ajuda ou para dar uma satisfação.

Quando ele chega em uma comunidade terapêutica pode chegar cheio de boa vontade, mente aberta, decidido. Porém, decidido a que?

A grande maioria não se dá por conta do real motivo de estar ali, a sua real situação e que foram suas próprias atitudes inapropriadas durante longo tempo que o levaram até ali.


Grande maioria dos pacientes estão só de corpo presente durante o período de 3 a 4 meses de internação. Passado o período de desintoxicação e que a mente se dá conta da realidade. E é por isso quando chegam neste período começam a criar problemas e dificuldades ao tratamento aplicado. O período de internação pode levar de 3 a 9 meses para ser efetivo.


Alguns começam a reclamar, falar mal da comida, da equipe disciplinar, da gestão administrativa da instituição. Outros falam que já encontraram o que vieram buscar e agora sabem o que é preciso fazer para não voltar aos comportamentos obsessivos.

A verdade é que o paciente criou uma máscara durante seu tratamento até a aquele momento. Digo até aquele momento porque ninguém consegue manter uma máscara, comportamento disfarçado por muito tempo. Essas máscaras começam a cair em grande maioria neste período de 3 a 4 meses pois faz parte do processo de tratamento.

É importante compreender que o paciente não faz isso intencionalmente. Essa máscara é um mecanismo de defesa do próprio subconsciente. Toda vez que o individua se sente insatisfeito o cérebro cria mecanismos de defesa para o individua não se sentir frustrado, insatisfeito. Ai se cria atos de manipulação dos fatos para se pôr como vítima da situação.

De que forma a família pode ajudar o paciente?


Em primeiro lugar é saber que todo paciente que está internado seja voluntario ou involuntário, não queria estar nessa situação!

Toda vez que ele percebe que está internado percebe também o porquê está internado. Motivos pode ser, inabilidade de lidar com os outros, falta de aceitação, transferência de responsabilidade, falta de controle sobre a própria vida, falta de inteligência emocional, falta de maturidade, falta de empatia, uso de substancias psicoativas alteradoras de humor, etc.

Precisamos compreender que o paciente está internado pelo simples fato de que a vida dele está desgovernada em alguma área ou em todas.

Neste período ele vai tentar de tudo para sair da internação e se a família ou responsável o libera da internação, do tratamento, na verdade está negando ao paciente a oportunidade de se encontrar sendo orientado a lidar com situações em que ele se sente insatisfeito, exatamente no período em que ele está realmente mostrando quem ele é.

Vamos raciocinar então? O paciente é internado por uso compulsivo de substância psicoativa alteradora de humor, e comportamentos obsessivos, compulsivos, antissocial. Este individuo é internado em uma clínica terapêutica com uma gama de profissionais especialistas nesse assunto. Terapeuta especialista em toxicodependência, psicólogo, equipe disciplinar, enfermeira, psiquiatra.

E o familiar prefere atender o pedido do paciente que desgovernou a própria vida? Mesmo quando esta equipe fala que ainda não está pronto?

Pois é! Isso acontece muito pois, infelizmente a maioria das pessoas agem pelo emocional e não usam o racional. Isso dificulta muito o trabalho de transformação terapêutico do “ser”.

A melhor maneira é parar e ver o paciente como ele é de verdade!

Perceber que ele não é um pobre coitado digno de pena. O sentimento de pena é menosprezar o potencial que a pessoa tem. Ele merece ser tratado como adulto e assumir suas responsabilidades e isso começa no tratamento terapêutico.

Quando a família não sede as manipulações e chantagens emocionais começa a dar ao paciente a oportunidade de ser responsável por ele mesmo e isso é um ato de amor incondicional!

Por exemplo, os pais tem como obrigação dar educação, princípios éticos e morais aos seus filhos para que eles tenham uma base solida para dirigem as próprias vidas, seguindo por caminhos que agreguem valor a suas existências. E quando os pais não permitem que seus filhos sejam autônomos eles acabam negando a eles a vida.

Quero dizer que quando o paciente está internado é porque eles necessita estar ali por não ter tido habilidade de seguir em frente por si só. Se ele não teve habilidade de seguir, o que faz você pensar que ele pode saber o que quer ou o que não quer nesse momento? Escute a equipe terapêutica antes de qualquer decisão.

É um fato que o paciente precisa de ajuda! Muita gente quer ajudar mas poucos sabem como.

Então se você não sabe, deixa profissionais que estudaram e tem conhecimento do assunto fazer o trabalho. Pois os que não sabem e querem ajudar acabam piorando a situação! Ajude seu familiar tendo confiança na equipe terapêutica que tudo vai dar certo.

99,01% dos pacientes que são retirados da internação por seus familiares não se mantem em tratamento. A maioria na verdade não dura 1 mês sem voltar a ter comportamentos obsessivos compulsivos.

10% dos pacientes que seguem o tratamento direcionado pela equipe terapêutica com as famílias desenvolvendo tratamento individual com um terapeuta e com reuniões no A/E permanecem seguindo em tratamento sem alterações no comportamento.

Quando o paciente segue tudo que foi sugerido no tratamento e a família segue o sugerido a ela e o paciente passa a ter acompanhamento individual com um terapeuta especialista em toxicodependência as chances aumentam de 10% para 20% de sucesso na recuperação.

Pense nisso, pense com amor. Dar a chance de recuperação a uma pessoa é uma ato de amor. Toda vida tem valor.

Juan Cebrian 48 99900-3041

Terapeuta especialista em Toxicodependência

CRT:114/20

Diretor Regional Febratis - Federação Brasileira de Terapeuta Integral Sistêmico

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